Psicologa Soraya Morais

De mãos dadas com a saúde mental

A saúde mental é um aspecto crucial para a vida em sociedade. Assim sendo, é da responsabilidade de todos de a reivindicar.
Tão importante quanto a saúde física, a saúde mental é fundamental para o bem-estar do ser humano e, por consequência, dos países e das sociedades.
Vivemos num tempo onde não há tempo.
Vivemos na ansiedade do imediatismo, na reactividade e, simultaneamente, na letargia do pensamento, da emoção, do afecto e da relação. Este lugar, onde estamos, onde não existe o tal tempo, abre portas à discriminação e à falta do olhar de mim sobre o outro. A dor não tem espaço nos dias em que vivemos.
E para fazer face a isto, devemos, enquanto responsáveis e intervenientes, arranjar tempo e espaço para a promoção da saúde mental.
Dar a mão a esta dimensão da vida, é um abraçar global de todos os restantes sectores da mesma. Todos indispensáveis, por serem, profundamente, interdependentes para o bem-estar completo individual ou colectivo.
Ao promover a saúde mental e combater a estigmatização, abraçamos e priorizamos a qualidade de vida da pessoa. Melhor: atendemos ao olhar a pessoa como pessoa. Um ser dotado de diferença com vontade própria. Com sofrimento próprio. Com vivências e histórias únicas.
Falar-se de saúde mental, é também falar de liberdade e de oportunidade. De direito fundamental.
Cuidar da saúde mental é insurgir-se ao vazio relacional e atender ao desenvolvimento pessoal. É colocar as coisas em perspectiva e ter intencionalidade. Esta última que, é caminho para a transformação. Transformação não só do próprio mas, também, do mundo onde se vive.
Assim, a psicologia clínica oferece-se como um dos colos para a saúde mental – um possível continente. A relação terapêutica, um possível lugar. A intervenção psicológica, o tempo. E, a pessoa do psicólogo clínico, o olhar sobre o outro. Atento e responsivo. Que procura ajudar e nunca prejudicar.